Já que ultimamente é muito mais fácil falar com os astros do que acreditar que as suas respectivas posições influenciam em nossas relações afetivas. [No entanto, você continua sendo meu inferno astral...]
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
[des]aponta[do]r
aponta a dor
que eu insisto
em não enxergar.
e se a flor
já não pinta a cor
que eu tanto via
ao te rascunhar,
insisto em apontar
a dor só pra te espetar.
amor,
vou me afiar só pra te cortar
e você nunca mais vai esquecer que
não vale a pena desapontar.
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certas coisas não são tão coloridas.
sábado, 27 de junho de 2009
crupiê
assim como se pune a quem comete um crime, eu deveria ser enjaulada por me envolver com o pecado: você, a personificação dele.
ser presa na escuridão escondida do nosso paraíso, com as mãos atadas por algemas precisas, sorrindo:
- me leva, me leva que eu gosto...
e eu choro. não porque você me encadeia lentamente a cada vez que estamos juntos, mas porque eu sei que me encurralando você também me liberta e isso dá prazer: ter liberdade total pra te ensinar como me satisfazer. desejo faz chorar e é por isso que tem noites em que eu me desespero.
você tem o poder, e isso é para poucos. te obedeço por pura submissão e te deixo ganhar, mesmo sabendo que em muitas vezes sou eu que estou por cima do jogo. então você me segura bem forte, nunca pela mão, sempre pela cintura, e me leva pra cela: um lar de piso quadriculado preto&branco.
e é boa essa clausura de jogo de damas, onde eu jamais sou a última peça e, apesar destes teus olhos gritando "EU VOU TE MACHUCAR", entre clímax e sussurros, refestelando-me, respondo:
- mas eu gosto. e muito.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quando comecei gostar de sapos.
eu roubei treze dinheiros da minha avó real. que era pecado eu sabia, mas não que ela era real. peguei grampo, pó de arroz e batom. batom para ficar bonita, treze dinheiros para comprar magia, magia para prender amor. desci o morro a cavalo. cavalo alado é cavalo branco e o meu cavalo se chamava Tempo.
passou ladeira, barbeiro barbado, cavalheiros comprando flores; brincadeira de gnomos em cogumelo, mina dos Setes Anões, carruagem feita de abóbora, muitas e muitas feras. Passou casa de plebéia, case de padre, gente pobre sem casa, castelo com jardim, jardim sem castelo e castelo sem príncipe. passou mundo encantado.
quem passava era eu, e o Tempo não passava: corria, voava. voava alto para comprar magia, magia para prender amor. eu gostava de inventar história, jogar minhas tranças do alto da torre, voar em cavalo alado, conseguir poção para o coração. só me preocupava com o Príncipe Encantado.
no meio do jardim do reino, pomar. vontade de comer maçã. maçã, maçã, chão. desmaio? não tinha fada madrinha que me acudisse nem varinha de condão.
deitada, passou o dia, passou o mundo, passou o tempo. passou minha avó procurando por treze dinheiros, pó de arroz, grampo e batom. deitada, passou pomar, passou príncipe encantado feio e anão. apanhei magia e beijo na boca, isso me fez acordar.
acordei, fui passar batom. bom mesmo era dormir de novo, sonhar que roubei dinheiro, dinheiro para comprar magia, magia para prender amor, amor que transforma sapos...
domingo, 26 de abril de 2009
Cinzas de abril
Elas foram ficando assim ao poucos, sem que percebessem. Mal sabem elas que ficarão ainda mais... Afinal, minha felicidade equilibrava o universo delas e as suas canções o meu. E era assim que a gente ia espalhando alegria pouco a pouco pelo mundo, era assim que contagiávamos as pessoas sem que percebessemos e, através dos nossos gestos simples, fazíamos com que a Terra girasse ao nosso redor: juntos, uma estrela gigante.
Aconteceu não pelo fato de que tinha que acontecer, mas porque outro dia aprendi que se gosto de alguém, tenho que deixá-lo ir... Pra sempre. E eu precisei cair fora, te ensinar que o seu desejo não era o mesmo que o meu e que a todo minuto eu orbitava o seu Pequeno Mundo, mas que em poucos deles você orbitava o Grande meu. No raso do seu oceano, descobri o segredo reluzente: você não me queria tanto quanto eu te queria.
Hoje penso que foi uma grande descoberta. Se era reluzente é porque havia algo de precioso. De lá retirei lições e fatos óbvios que eu não sabia da minha própria vida: meu mundo, sempre tão vasto, não fora feito pra você, que com perninhas curtas não saberia caminhar.
Depois disso precisei partir. Você nem sequer me desvendaria, pois minhas águas nunca foram rasas. Diariamente transbordo, como aconteceu na mesma noite em que te larguei, porém, afogada em outros braços.
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Seja sempre o maior que você puder.
domingo, 29 de março de 2009
Desconstrução
Não vou te escrever um terceto,
Porque não tenho métrica,
não tenho rima
e a gente lá tããão...
[Dessincronizados?!]
Claro e escuro,
Desacrobacia simétrica
do infinito no raso
[Antítese ou paradoxo?!]
Não sei.
Mas larga essa distância,
desce desse muro
chega na minha vida e diz:
[- Quero mesmo ser inspiração.]
segunda-feira, 23 de março de 2009
Reecontros, eu sei.
A semana passava rastejando, eu me prendia às tarefas escolares para te esquecer um pouco e acelerar o ritmo dos dias da sua ausência. Às vezes eu sentia saudades tuas. Nossas.
Sexta-feira chegava - nem ao menos ansiedade -, eu esperava por você, faltavam 15 minutos pra te ter. Daquele 1/4 da hora vinha o nervosismo, a boba preocupação de estar adequadamente vestida, bem perfumada e psicologicamente preparada para as suas ações, as suas perguntas. Eu não sorria, apesar de que por dentro estivesse feliz, batia um sopro de medo estarmos de fronte. Eu te achava fantástico, sem saber o exato significado dessa admiração. Você me achava chata, a salvo algumas poucas atribuições.
E se no ponteiro das horas eu descobrisse que não era amor?
Tic-tac tic-tac
Meu tempo se mostrou infinito, o seu era cronometrado.
Quis sair correndo do teu carro, sumir da tua vida, te apagar de mim.
Tinha receio da palavra ilegal que salivava na tua boca:
- ACABOU!
Eu gostava de você...
O que foi que eu te fiz? Eu só queria saber.
O fim não doeu, porém, tive ódio das escanchadas meninas burras e feias que se cediam ao imoral; tive inveja daqueles que sempre conseguiam vencer; tive cólera de mim, de você, de nós dois e alguns outros.
Senti-me imunda.
Para que fingiu tanto?
Atendi o teu pedido.
Calada, sem prantos.
Abri mão da tua presença e do sufocante sentimento de posse:
você tinha outra, eu pressentia.
"Amar não é ter que estar perto, amar não é ter que estar perto".
O que me importa ver-te com outra se há sempre um reencontro?, eu sei!
sábado, 21 de março de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Da janela
Eu, lúcida e imbecíl, vagando o estático, pensando "Mas se eu morrer, será que eles sentirão minha falta?" Às vezes é inevitável não pensar na própria morte e impossível não sentir falta de si.
[Você choraria por mim, vai chorar, está chorando.]
Continuo má, pérfida: e se você morresse agora, no carpete do quarto? E se eu te matasse? Não, eu não seria capaz disso. Covardemente eu preferiria correr para os seus braços - abrigo -, berrar, arranhar, socar, chorar... Por que você me amou? Por quê? Por quê?
É justamente por causa desse amor não correspondido que eu te confesso estas loucuras sujas&bobas e é por ele que confio...
Desculpa, porém, cansei. Desisti. Mulheres sempre foram mais bonitas que homens, embora vocês sejam mais interessantes. Só que vocês mentem, metem, mentem, são sempre iguais por mais que presumam não ser. Me enojam...
Não, cara, não! Eu não troquei de lado; se ao menos elas me fizessem filhos, tivessem mãos pesadas e voz grossa... No entanto, imaginei, juro que sim! Descobri que não me conheço, que não sei quem sou ou o que quero. Sei lá, me envergonho, mas sou indiferente aos sexos.
Eu queria mesmo era ter te amado, te devorado com o meu bobo coração infantil. Meu Deus, como virei uma pessoa tão desequilibrada? Eu queria estar a salvo dos meus relapsos de desilusão, conter o rio que se forma dentro de mim e o que escorre pelo rosto teu, queria estar a salva de mim mesma.
Faz um dia tão bonito lá fora. Saiba que, de algum modo, eu gosto muito de você. Pegue o elevador, pois estarei te esperando lá embaixo, imóvel e tomável. E, por favor, faça silêncio: não insista para que eu não pule.
