sexta-feira, 1 de maio de 2009

quando comecei gostar de sapos.

eu roubei treze dinheiros da minha avó real. que era pecado eu sabia, mas não que ela era real. peguei grampo, pó de arroz e batom. batom para ficar bonita, treze dinheiros para comprar magia, magia para prender amor. desci o morro a cavalo. cavalo alado é cavalo branco e o meu cavalo se chamava Tempo.

passou ladeira, barbeiro barbado, cavalheiros comprando flores; brincadeira de gnomos em cogumelo, mina dos Setes Anões, carruagem feita de abóbora, muitas e muitas feras. Passou casa de plebéia, case de padre, gente pobre sem casa, castelo com jardim, jardim sem castelo e castelo sem príncipe. passou mundo encantado.

quem passava era eu, e o Tempo não passava: corria, voava. voava alto para comprar magia, magia para prender amor. eu gostava de inventar história, jogar minhas tranças do alto da torre, voar em cavalo alado, conseguir poção para o coração. só me preocupava com o Príncipe Encantado.

no meio do jardim do reino, pomar. vontade de comer maçã. maçã, maçã, chão. desmaio? não tinha fada madrinha que me acudisse nem varinha de condão.

deitada, passou o dia, passou o mundo, passou o tempo. passou minha avó procurando por treze dinheiros, pó de arroz, grampo e batom. deitada, passou pomar, passou príncipe encantado feio e anão. apanhei magia e beijo na boca, isso me fez acordar.

acordei, fui passar batom. bom mesmo era dormir de novo, sonhar que roubei dinheiro, dinheiro para comprar magia, magia para prender amor, amor que transforma sapos...