sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Da janela

Hello Dude, pendurada aqui vejo as coisas tão mais bonitas. Você aí do outro lado do quarto, me olhando, fica muito mais interessante. O verde nos seus olhos se torna real, eles parecem saltar, perdidos, afogados em si. Desesperados...

Eu, lúcida e imbecíl, vagando o estático, pensando "Mas se eu morrer, será que eles sentirão minha falta?" Às vezes é inevitável não pensar na própria morte e impossível não sentir falta de si.

[Você choraria por mim, vai chorar, está chorando.]

Continuo má, pérfida: e se você morresse agora, no carpete do quarto? E se eu te matasse? Não, eu não seria capaz disso. Covardemente eu preferiria correr para os seus braços - abrigo -, berrar, arranhar, socar, chorar... Por que você me amou? Por quê? Por quê?

É justamente por causa desse amor não correspondido que eu te confesso estas loucuras sujas&bobas e é por ele que confio...

Desculpa, porém, cansei. Desisti. Mulheres sempre foram mais bonitas que homens, embora vocês sejam mais interessantes. Só que vocês mentem, metem, mentem, são sempre iguais por mais que presumam não ser. Me enojam...

Não, cara, não! Eu não troquei de lado; se ao menos elas me fizessem filhos, tivessem mãos pesadas e voz grossa... No entanto, imaginei, juro que sim! Descobri que não me conheço, que não sei quem sou ou o que quero. Sei lá, me envergonho, mas sou indiferente aos sexos.

Eu queria mesmo era ter te amado, te devorado com o meu bobo coração infantil. Meu Deus, como virei uma pessoa tão desequilibrada? Eu queria estar a salvo dos meus relapsos de desilusão, conter o rio que se forma dentro de mim e o que escorre pelo rosto teu, queria estar a salva de mim mesma.

Faz um dia tão bonito lá fora. Saiba que, de algum modo, eu gosto muito de você. Pegue o elevador, pois estarei te esperando lá embaixo, imóvel e tomável. E, por favor, faça silêncio: não insista para que eu não pule.