sábado, 23 de outubro de 2010

Wanna go tree climbing, Thomas J.?




eu disse:
se um dia você virar a cara pra mim que nem ele, eu morro.

ele disse:
kkkkkkkkkkkkk. qnto amor, fico impressionado.

eu disse:
porra, eu falo sério e você vem no deboche.

ele disse:
fica tranquila que eu sou fiel as verdadeiras amizades.

eu disse:
eu te amo, na moral. você é um dos amigos que eu mais gosto.

ele disse:
"um dos" não, eu sei que sou o que vc mais gosta. mas não dá pra vc querer relações cmg no campo afetivo.



desacelere um pouco. finja estar normal e dê uma risada para disfarçar.



eu disse:
é. eu sei. já me coformei kkkkkk já entendi que vocês vão casar.



coração acelerado. fuja, arranque os olhos para não ler a resposta.



ele disse:
casar é uma palavra mto forte.

eu disse:
formar uma família também é muito forte?

ele disse:
mais ainda kkk. não me agrada a ideia de acordar e todos os dias ve a mesma pessoa
muito menos a responsabilidade de guiar uma familia.

eu disse:
então deixa pra lá... você vai ser o padrinho do meu casamento.


esperança de que ele se sinta incomodado, que não me veja casando com alguém que não seja ele. mas ele muda de conversa e...


ele disse:
eu não sou essa coisa satânica que vc imagina.


você é pior.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

boas vindas

- Sabe, cansada de ser boazinha; de aceitar suas desculpinhas quieta só para não te contra-argumentar e acabar gerando mais confusões por te pegar desprevenido, por te fazer se sentir encurralado ou mal.

Se é que você realmente se sente mal por alguma coisa... Porque convenhamos, você nem hombridade tem, então fica difícil eu querer falar sobre capacidade de discernimento para alguém que pensa que é homem, mas que ainda não saiu da puberdade mental.

Eu só vim aqui te dizer que, ok, você venceu. Se seu objetivo era fazer com que eu me sentisse humilhada, conseguiu. Agora já pode ficar satisfeito e sair contando pelos quatro cantos do mundo que eu me fodi na sua mão e - imploro - passar a me ignorar ad infinitum.

Você a todo momento se comportou como um menino, mas cara, o que a gente teve -pelo menos pra mim - nunca foi um jogo. E eu sei que você vai dizer que a gente nunca teve porra nenhuma e que afinal, você nunca me prometeu na-da.

Mais uma vez vou emprestar a minha paciência pro seu discurso-machista-pronto, vou fingir que acredito ou de uma vez por todas, vou te dar provas da minha fidelidade: convictamente acreditarei.

Porque, como você sabe, eu sou ingênua, e não é muito difícil me fazer acreditar nas coisas, ? Afinal, um dia você me fez crer que a sua pessoa era excepcional em tudo o que fazia: bonito, 21 anos, empenhado, legal, tranquilo, esperto, pega bem... Mas meu filho, quer saber? Nem o seu beijo era grande coisa.

Inteligente não, você jamais conseguiu me fazer acreditar nisso. Até porque, veja bem, qual pessoa dotada de sapiência faria tudo o que você fez? Me trocar várias vezes por drogas, vídeo game e menininhas de 'baixo nível'... Não falha o ditado 'insistir no erro é burrice', e por sinal, você é burro. MUITO BURRO!

Não vem dizer também que eu bancando a mal-comida, porque se você parar para pensar, a culpa é sua, que nunca soube fazer o serviço direito. Nem ao menos me convencer a fazer. E eu sei que você queria, você teria dado tudo por isso.

Verdade seja dita: você é mais inseguro que eu. E cara, insegurança é coisa pra menininha, tá bem? Aposto que todos os seus vacilos são consequências dos muitos chifres e decepções que você levou pela vida. Por causa de tudo isso, você se sente abalado com o tamanho do próprio pau.

Sinceridade? Eu tive - e ainda tenho - pena. PE-NA. E foi ela que me fez teimar em ter um relacionamento com você, sei lá, eu queria te mostrar que alguma coisa na sua vida podia dar certo.

Você só me procurava quando precisava de um elogio, de alguém pra conversar e que te desse carinho. Só queria as coisas boas, que não dessem trabalho. Porém, eu nunca te dei a entender que eu era uma garota que não dava trabalho, ou seja, fácil. E eu sempre me senti triste por não ter a parte que você julgava ruim da coisa...

Pode rir, me tachar de otária. Se você acha que me fez de boba esse tempo todo, sinceramente, o problema é seu. Você é só mais um, nem o primeiro nem o último. Uma hora - pra mim - essa historinha toda vai deixar de significar, assim como não significa nada pra você há tempo. Se é que um dia significou...

Enfim, deixo esse meu último parágrafo para um recado rápido e bem assertivo:

VAI TOMAR NO CU!
Você nunca me levou a sério. E não me venha falar de respeito, porque respeito é algo que você nunca teve por mim, algo que você nunca teve nem por você... então, deixa pra lá.

ME deixa pra lá!*







domingo, 3 de outubro de 2010

next message.

hoje eu vi a ex dele. sou muito diferente dela.
sabe quando dá vontade de ser igual só pro cara te amar?
então.

domingo, 4 de julho de 2010

conversinha da madrugada. (or Bed Situation)

- sabe, uma hora eu vou te assustar. e se eu não sair correndo antes que isso aconteça, você sairá.

- lorena, eu não sou como você vê. não existe só eu, não sou sozinho. na verdade, sou cinco pessoas ao mesmo tempo.

- e todas essas cinco pessoas gostam de mim?

- não. uma delas desconfia muito de você.

- qual delas?

- a razão.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Slow dancing in a burnin’ room (ou Sexo pelo buraco da parede)*

- quer tirar a camisa? - pediu ela.
- sinto vergonha - ele riu e tirou a camisa -, você pode tirar a sua para que eu não me sinta tão estranho parado aqui de pé?
- isso faria você se sentir menos estranho? - ela riu, mas tirou a camisa, mantendo-se afastada do buraco para que ele pudesse chegar junto à parede e olhar para ela.


- quer tirar também as meias - pediu ela - e a calça?
- você também tira as suas?
- eu também sinto vergonha - disse ela. era verdade, apesar deles já terem visto o corpo nu um do outro centenas, e provavelmente milhares, de vezes. mas eles nunca haviam se visto de tão longe. nunca haviam conhecido a intimidade mais profunda, aquela proximidade que se atinge apenas à distância.



ela foi até o buraco e ficou olhando para ele por vários minutos. depois se afastou do buraco. ele foi até lá e olhou para ela por vários minutos em silêncio. no silêncio eles atingiam outra intimidade, aquela das palavras não ditas.



- agora quer tirar a sua roupa de baixo? - pediu ela.
- você tira a sua?
- se você tirar a sua.
- você tira?
- sim.
- promete?



eles tiraram a roupa de baixo e se revezaram olhando pelo buraco, experimentando a súbita e profunda alegria de descobrir o corpo um do outro, e a dor de não serem capazes de descobrir um ao outro ao mesmo tempo.



- toque em você mesmo como se suas mãos fossem as minhas - disse ela.
- mas...
- por favor.



ele fez o que ela pedia, embora constrangido, embora estivesse à distância de um corpo do buraco. e embora ele pudesse ver apenas o olhos dela, ela fez o mesmo que ele, usando as próprias mãos para lembrar-se das mãos dele. inclinou-se para trás, e com o dedo indicador direito apalpou o buraco, e com o esquerdo ficou fazendo círculos sobre o seu maior segredo, que também era um buraco, também um espaço negativo.



- você vem até mim? - perguntou ela.
- vou.
- sim?
- vou.



eles se amaram através do buraco. três amantes comprimidos um contra o outro, mas nunca se tocando inteiramente. ele beijava a parede, ela beijava a parede, mas a parede egoísta nunca retribuía os beijos. ele apertava as palmas contra a parede, e ela, que virava-se de costas para a parede para acomodar o amor, apertava a parte de trás das coxas contra a parede, mas a parede permanecia indiferente, nunca reconhecendo o que eles estavam tentando fazer com tanto empenho.

eles viviam com o buraco. a ausência que o definia tornou-se uma presença que os definia. a vida era um pequeno espaço negativo extraído da eterna solidez, e pela primeira vez parecia preciosa - não como todas as palavras que haviam deixado de ter significado. como o último suspiro de uma vítima se afogando, porém.

ela recortou da parede o buraco que a separara dele naqueles últimos meses, e pôs num colar. faria lembrar-se do homem que perdera nos seus dezenove anos, e do buraco que, conforme ela estava descobrindo, não é uma exceção na vida, e sim a regra.

o buraco não é o vazio; o vazio existe em torno dele.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

EU GOSTO DO QUE NÃO EXISTE

"Dê-me amor, o amor não existe, e eu já experimentei todas as coisas que existem."


mas lhe era inevitável. ela se apaixonara por um garoto inexistente ou, talvez, apenas ausente e distante do mundo em que habitava.

nas noites frias, em sua cama, sentia falta do corpo dele se sobrepondo ao seu - embora de fato isso jamais tivesse acontecido -, da pressão que fazia sobre seu peito e sua cintura, e da mão esquerda invadindo-lhe a virilha (afinal, ele era canhoto).

lembrava-se detalhadamente do jeito gostoso como ele a tateava e despia, e de que nunca conversavam em alto volume, pois ele era uma pessoa silenciosa (e fechada) - eu diria até que calada, já que sua melhor forma de comunicação se dava pelos toques e respiração pesada que respondiam aos gemidos dela.

nada nele era ameno, tudo nele era voraz. e despertava, nela, a vontade de arrancar os melhores pedaços dele com os dentes, mastigando-os (e saboreando-os) devagar. na noites quentes, refrescavam-se com saliva e néctar.

ela sentiria saudades, ainda que aquilo tudo para ele nunca tivesse existido ou significado algo. sentiria saudades mesmo sabendo que ele era uma peça de ficção, mas acreditando nele mesmo assim.


------

o que fazer quando a espera te desespera?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

descoberta

às vezes eu podia te adivinhar. por mais impenetrável que você se presumisse ser, até que me era bastante previsível.

com tantos receios, porém, imprudente; descalça, eu quis brincar de te invadir:
descobri um menino nu e encolhido, enquanto eu farejava de longe o seu cheiro de medo.

você nunca se permitiu ouvir minhas histórias, pra tudo o tempo era uma desculpa e tinha as respostas. você me alegava sempre:

- lorena, você se encurrala.

na verdade, você fugia. se afastava toda vez que me sentia aproximar, meu nome era sinal de perigo. pra você, eu era um monstro gigante, mas tinha os olhos de criança assustada e só você não os via.

tremendo, com pupilas dilatadas, eu me sentia pequena em não ousar te falar:

- no fundo, você é um covarde.

será que pra isso você vai esperar resposta?
será que isso o tempo também vai te dizer?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Narciso

à noite, se fecho os olhos, sob as minhas
pálpebras tem-se a minha mais secreta
tatuagem: você.

já não existe cicatriz, quanto menos ferida.
porque, enquanto durmo, nos meus sonhos
você fica muito mais bonito. mais bo-ni-to...

timidamente te encaro.falo mais alto e te
conto histórias pra dissimular os meu segredos.
nos meus olhos, com olhar de encantamento,
você se enxerga e então, pela primeira vez,
me sorri de graça.

tenho medo.
já conheço a rejeição e as suas diferentes faces.
todas elas me assustam...
e em mais um impulso infantil, erroneamente
te pressiono:

― você sorri porque reconhece a C. em mim? ainda a busca?

friamente você responde:

― lorena, você só vai sofrer menos quando passar a olhar mais pra dentro de si.

"olhar mais pra dentro de si... olhar mais pra dentro de si..."
acordo.

domingo, 17 de janeiro de 2010


"estranho é o deserto dentro de ti
e os muros que me impedem de chegar
...
e o medo que eu tenho de errar."

[abril]