às vezes eu podia te adivinhar. por mais impenetrável que você se presumisse ser, até que me era bastante previsível.
com tantos receios, porém, imprudente; descalça, eu quis brincar de te invadir:
descobri um menino nu e encolhido, enquanto eu farejava de longe o seu cheiro de medo.
você nunca se permitiu ouvir minhas histórias, pra tudo o tempo era uma desculpa e tinha as respostas. você me alegava sempre:
- lorena, você se encurrala.
na verdade, você fugia. se afastava toda vez que me sentia aproximar, meu nome era sinal de perigo. pra você, eu era um monstro gigante, mas tinha os olhos de criança assustada e só você não os via.
tremendo, com pupilas dilatadas, eu me sentia pequena em não ousar te falar:
- no fundo, você é um covarde.
será que pra isso você vai esperar resposta?
será que isso o tempo também vai te dizer?
Já que ultimamente é muito mais fácil falar com os astros do que acreditar que as suas respectivas posições influenciam em nossas relações afetivas. [No entanto, você continua sendo meu inferno astral...]
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Narciso
à noite, se fecho os olhos, sob as minhas
pálpebras tem-se a minha mais secreta
tatuagem: você.
já não existe cicatriz, quanto menos ferida.
porque, enquanto durmo, nos meus sonhos
você fica muito mais bonito. mais bo-ni-to...
timidamente te encaro.falo mais alto e te
conto histórias pra dissimular os meu segredos.
nos meus olhos, com olhar de encantamento,
você se enxerga e então, pela primeira vez,
me sorri de graça.
tenho medo.
já conheço a rejeição e as suas diferentes faces.
todas elas me assustam...
e em mais um impulso infantil, erroneamente
te pressiono:
― você sorri porque reconhece a C. em mim? ainda a busca?
friamente você responde:
― lorena, você só vai sofrer menos quando passar a olhar mais pra dentro de si.
"olhar mais pra dentro de si... olhar mais pra dentro de si..."
acordo.
pálpebras tem-se a minha mais secreta
tatuagem: você.
já não existe cicatriz, quanto menos ferida.
porque, enquanto durmo, nos meus sonhos
você fica muito mais bonito. mais bo-ni-to...
timidamente te encaro.falo mais alto e te
conto histórias pra dissimular os meu segredos.
nos meus olhos, com olhar de encantamento,
você se enxerga e então, pela primeira vez,
me sorri de graça.
tenho medo.
já conheço a rejeição e as suas diferentes faces.
todas elas me assustam...
e em mais um impulso infantil, erroneamente
te pressiono:
― você sorri porque reconhece a C. em mim? ainda a busca?
friamente você responde:
― lorena, você só vai sofrer menos quando passar a olhar mais pra dentro de si.
"olhar mais pra dentro de si... olhar mais pra dentro de si..."
acordo.
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