sábado, 1 de novembro de 2008

Hoje eu reencontrei uma pessoa que há tempos eu não via, um amigo que sumiu sem deixar telefone, e-mail ou qualquer referência. E é engraçado o jeito como eu não sei lidar com isso: reencontro.

Primeiro me bateu uma ansiedade louca de correr antes que ele pegasse o ônibus para um lugar qualquer no meio dessa infinidade de lugares e mais uma vez se perdesse de mim. Queria chegar na fila onde ele estava, dar um abraço, um sorriso, falar da minha vida. Mas eu não o fiz. Fiquei boba, parada entre um monte de gente que ia e vinha, sem saber o que falar, arquitetando palavras e respostas loucas para perguntas tão normais, mas eu sôo sempre tão sem sentido.

Estava decidida em esperar o sinal fechar, tomar a rua em passos largos e sumir dali. Não queria vê-lo, contar minha vida e perguntar sobre a dele. Porém, tomar a rua naquele momento seria andar na contra-mão. Na contra mão do acaso - ou destino?-, na contra-mão da vida, na contra mão de uma cidade grande que naquele momento era pequena e havia nos trazido até ali. Eu tinha medo. Medo dele não me reconhecer depois desses anos e, pior, medo dele me reconhecer e perceber o quanto eu mudei. Mas eu fui.

Fui chegando devagarinho, esperando ele me notar surpreso ou indiferente. E, quando percebi que ele já tinha me visto, não aguentei e arrebentei um sorriso. Fui logo pro abraço, para as mesmas perguntas de sempre e pra reconfortante resposta "Eu estou bem."

Ele me reconheceu do mesmo jeito que há quatro anos, pelo mesmo sorriso de sempre que, embora ele não saiba, eu fiz questão de vestir justamente pra fingir que nada mudou, que eu continuo a mesma bobona de sempre. Mal sabe ele que eu mudei e que eu mudei por causa dele e de alguns outros que, coincidentemente, têm o mesmo nome - o qual não é nada comum.

É incrível, foram três e todos eles me ensinaram crescer, me ensinaram que amor tem várias formas e outras tantas coisas lindas. E de todos eles eu me desencontrei, como se amar fosse deixar perder. E com todos eles eu aprendi que amar é deixar livre, porque um dia volta se for amor de verdade.

Não cabe a mim ficar comentando da vida dele, mas a verdade é que nas minhas brincadeiras toscas de criança eu aprendi muito com ele. Dois deles voltaram. Mas o mais importante, o mais sábio e incrível em todos os sentidos se perdeu pra sempre, fugiu de mim. E eu não sei quando fui deixada...

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