quarta-feira, 23 de junho de 2010

EU GOSTO DO QUE NÃO EXISTE

"Dê-me amor, o amor não existe, e eu já experimentei todas as coisas que existem."


mas lhe era inevitável. ela se apaixonara por um garoto inexistente ou, talvez, apenas ausente e distante do mundo em que habitava.

nas noites frias, em sua cama, sentia falta do corpo dele se sobrepondo ao seu - embora de fato isso jamais tivesse acontecido -, da pressão que fazia sobre seu peito e sua cintura, e da mão esquerda invadindo-lhe a virilha (afinal, ele era canhoto).

lembrava-se detalhadamente do jeito gostoso como ele a tateava e despia, e de que nunca conversavam em alto volume, pois ele era uma pessoa silenciosa (e fechada) - eu diria até que calada, já que sua melhor forma de comunicação se dava pelos toques e respiração pesada que respondiam aos gemidos dela.

nada nele era ameno, tudo nele era voraz. e despertava, nela, a vontade de arrancar os melhores pedaços dele com os dentes, mastigando-os (e saboreando-os) devagar. na noites quentes, refrescavam-se com saliva e néctar.

ela sentiria saudades, ainda que aquilo tudo para ele nunca tivesse existido ou significado algo. sentiria saudades mesmo sabendo que ele era uma peça de ficção, mas acreditando nele mesmo assim.


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o que fazer quando a espera te desespera?

Um comentário:

Anônimo disse...

Descanse. Não espere esperando. Deseje. Pois acredite, acontece!