terça-feira, 26 de julho de 2011

ao meu amor.

quer saber? estou cansada de brigar com você, teclando sempre nos mesmos erros. e não quero atrasar minha vida insistindo em algo que já sei que não vai dar certo.

você teima em me diminuir em comparação às suas ex. já sabia o que os 20 anos traziam no pacote e não pode reclamar, eu nunca afirmei ser diferente ou mais madura. na verdade, sempre disse que era inexperiente e tinha a boceta apertada. e eu quero mesmo é que você me chame de vulgar e infantil para que eu nunca mais olhe pra a sua cara.

agora sim espero que vocês viajem e que aproveitem bastante. 'e se elas pagassem pra você ir?', não quero nada que venha delas, elas podem começar enfiando o dinheiro no cu! muito obrigada por mais uma vez frisar que sou uma fodida e que você viaja com elas porque eu não tenho dinheiro pra ir pra cancun.

não aguento mais a aflição de guardar tudo o que penso e tudo o que sei. você vive falando das suas ex pra mim, coisa a qual não faço com você e que me irrita muito. acho muito mais justo você ser sincero então, porque não suporto mais ter que me fingir de burra desentendida.

você não consegue perceber que nunca estivemos numa relação de verdade? viramos amigos de sexo, porque nunca existiu amor num lugar em que você cogitava uma terceira pessoa na cama. você nunca se importou em disfarçar aquela olhada na bunda da mulher que passava em frente para que eu não ficasse mal; uma vez, você chegou até mesmo a me dizer que tinha perdido a sua alma gêmea.

fui aprendendo não me esforçar pra te agradar, porque se você estava insatisfeito com que eu sou, de nada ia resolver, meu sofrimento seria maior. importei-me apenas em ser eu e não construir muitos sonhos.

mais uma vez errei. ser eu implicava em continuar sem procurar trabalho e em aventuras sexuais aos finais de semana, eu até pedia pra você me bater. ser eu implicava em uma fama de preguiçosa e outra de puta. duas vezes vagabunda.

eu não sou legal, meus pais me sustentam, durmo até o meio dia, odeio eufemismos, não puxo o saco de ninguém, sou mimada, falo palavrões em público, com um pouco de álcool também trepo em público, sou ansiosa, sou infantil, como em excesso, não sou magra nem loira, nem tenho olhos azuis, não sou zen, não faço reik. mas eu te amei, te amo, só que você se impediu de se deixar encantado pelo meu lado bom (te juro, existe).

você diz sempre que é o homem da minha vida e que quem sabe um dia eu serei a mulher da sua. tem estórias mal terminadas, tem apego ao passado (e se não larga o passado, com que mão agarra o presente?). eu sei que durante esse tempo você se encontrou com uma ex, eu sei que isso te atormenta. isso te atormenta exatamente da maneira como eu queria te atormentar, você não me deu essa chance... sei também que ainda sente algo por ela.

entreguei meu corpo de todas as formas, procurando atenção, querendo me sentir amada. porém, tudo o que me senti foi uma merda. eu nunca te fiz nem mesmo gozar sozinha; carreguei o tempo inteiro o peso de não poder estar sempre ao seu lado nas noites mais frias, o de não deixar a toalha e a roupa ajeitadas pro seu banho, o de não servir seu jantar. realmente não sou quem você precisa. sou só a putaria do fim de semana.

gostaria muito de que você terminasse comigo; de que por misericórdia parasse de me usar, de me enganar. gostaria muito de que você se afastasse, me abandonasse de verdade... me deixasse aqui gemendo de choro e solidão, com as pernas abertas esperando por você e escrevendo coisas que você odiaria ler.

te amo.
quero bagunçar a sua vida, mas deixar a cama arrumada, apagando as pistas que me lembram o 'nós'.

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