sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

descoberta

às vezes eu podia te adivinhar. por mais impenetrável que você se presumisse ser, até que me era bastante previsível.

com tantos receios, porém, imprudente; descalça, eu quis brincar de te invadir:
descobri um menino nu e encolhido, enquanto eu farejava de longe o seu cheiro de medo.

você nunca se permitiu ouvir minhas histórias, pra tudo o tempo era uma desculpa e tinha as respostas. você me alegava sempre:

- lorena, você se encurrala.

na verdade, você fugia. se afastava toda vez que me sentia aproximar, meu nome era sinal de perigo. pra você, eu era um monstro gigante, mas tinha os olhos de criança assustada e só você não os via.

tremendo, com pupilas dilatadas, eu me sentia pequena em não ousar te falar:

- no fundo, você é um covarde.

será que pra isso você vai esperar resposta?
será que isso o tempo também vai te dizer?

Um comentário:

Anônimo disse...

isso o tempo nunca vai te dizer.